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Na construção civil moderna, novos sistemas construtivos vêm ganhando espaço por oferecerem mais eficiência, sustentabilidade e rapidez na execução das obras. Entre essas soluções está o sistema construtivo em concreto com painéis estruturados, que utiliza diferentes materiais combinados para formar paredes resistentes, com bom desempenho térmico e acústico.
Nesse método, o poliestireno expandido (EPS), conhecido popularmente como Isopor®, é utilizado como elemento de preenchimento dentro dos painéis. Ele é composto por cerca de 98% de ar e 2% de plástico, o que o torna leve e totalmente reciclável. Sua função principal não é estrutural, mas sim auxiliar no preenchimento das paredes e contribuir para o isolamento térmico e acústico da construção.
Esse sistema construtivo foi desenvolvido originalmente na Itália. O objetivo era criar uma tecnologia capaz de atender regiões com alta incidência de terremotos, exigindo estruturas mais leves, resistentes e com bom desempenho térmico para enfrentar invernos rigorosos. Por isso, o método combina telas de aço interligadas por conectores metálicos e uma camada de microconcreto de alta resistência, responsável pela estabilidade e segurança da estrutura.
O material utilizado no preenchimento apresenta excelente capacidade de isolamento, suportando variações de temperatura que vão de aproximadamente -50 °C a +80 °C. Nos painéis, ele ocupa os espaços que posteriormente recebem a aplicação do concreto projetado sobre telas eletrossoldadas, formando paredes sólidas e resistentes.
Comparado ao sistema tradicional de alvenaria, esse método construtivo pode proporcionar diversas vantagens. A execução da obra costuma ser mais rápida, com menor consumo de água e energia elétrica durante a construção. Além disso, há redução significativa de entulho e desperdício de materiais, já que os painéis são produzidos em processos industriais mais controlados.
Outro ponto importante é a sustentabilidade. A construção civil é uma das atividades que mais consome recursos naturais, e sistemas construtivos industrializados ajudam a reduzir esse impacto. Os materiais utilizados no preenchimento dos painéis são recicláveis e podem ser reaproveitados como matéria-prima após o fim de sua vida útil, diminuindo a geração de resíduos.
Além disso, os componentes utilizados são materiais inertes, que não sofrem ação de agentes biológicos nem contaminam o solo, a água ou o ar. A durabilidade da edificação também é garantida quando o sistema segue as normas técnicas brasileiras, como a ABNT NBR 6118:2014, que estabelece critérios estruturais, incluindo o cobrimento adequado das telas de aço nas paredes.
É importante destacar que o material de preenchimento não atua sozinho como elemento estrutural. A resistência da construção está no conjunto formado pelas telas de aço, conectores metálicos e pela aplicação do microconcreto com resistência mínima de 25 MPa.
Em termos de custo inicial, esse sistema pode representar um investimento cerca de 20% maior quando comparado à alvenaria convencional. No entanto, essa diferença tende a ser compensada pela redução no tempo de obra, menor consumo de recursos durante a construção e maior eficiência térmica da edificação ao longo do tempo.
